Em 2026, o Full virou quase obrigatório pra quem quer disputar Buy Box no Mercado Livre. Mas tem um detalhe: a maioria dos sellers que entra no Full acha que vai economizar logística — e descobre, três meses depois, que a margem caiu 4 a 8 pontos sem ninguém perceber.

Esse guia abre os 4 custos reais do Full em 2026, mostra a fórmula que separa "produto Full" de "produto que tem que ficar Flex", e dá o atalho pra decidir SKU por SKU sem chutar.

O que é o Full do Mercado Livre

O Mercado Envios Full é o modelo de fulfillment do ML — você manda seu estoque pra um galpão deles (no Brasil tem São Paulo, Recife, Cariacica, Cajamar e Extrema, principais), e o ML faz tudo: armazena, separa, embala, etiqueta e envia.

Em troca, o anúncio ganha:

  • Selo verde "Full" no card
  • Frete grátis ativado em mais regiões
  • Prioridade no algoritmo (Buy Box mais provável)
  • SLA de entrega que ML promete (24-48h em capitais)

Parece bom. E é — pros produtos certos. O problema é quando você empurra qualquer SKU pra dentro.

Os 4 custos do Full que ninguém te conta direito

Esses valores são da tabela vigente em 2026 e podem mudar. Sempre confira no Mercado Envios > Full antes de calcular margem.

1. Armazenagem mensal

O ML cobra por m³ ocupado por mês. A tabela 2026 começa em ~R$ 70/m³/mês pros primeiros 30 dias e dobra depois de 60 dias parado. SKU que não gira vira passivo rápido.

2x
é quanto a armazenagem do Full custa depois de 60 dias parados

2. Coleta + processamento de entrada

Cada lote enviado tem custo fixo de coleta (se você usa o Mercado Envios Coleta) + custo por unidade de entrada (~R$ 0,30 a R$ 0,80 dependendo da categoria). Pra produto pequeno e barato, esse custo de entrada já come 5-10% do preço.

3. Tarifa de venda do Full

Aqui é onde pega: o ML cobra a tarifa de venda padrão (12-16% dependendo da categoria) + tarifa do Full que varia por peso e dimensão. Pra um produto de R$ 50 e 500g, sai algo como:

  • Tarifa ML: R$ 7,00 (14%)
  • Tarifa Full: R$ 5,90
  • Total: R$ 12,90 por venda — 25,8% do preço

4. Frete (que não é grátis pra você)

O "frete grátis" é grátis pro comprador. Pra você, em produtos abaixo de R$ 79 (regra Black 2026), o ML divide: você paga uma parte, ele subsidia o resto. Em produtos acima de R$ 79, frete é por conta do ML — mas você paga via tarifa maior.

25,8%
das vendas em R$ 50/500g viram custo do Full antes de você pagar custo do produto

A fórmula simples: quando vale Full

Margem Full = Preço × (1 - 0,258) - Custo do produto - Imposto

Pra esse exemplo de R$ 50, 500g, custo do produto R$ 18, imposto 8%:

  • Receita líquida: R$ 50 × 0,742 = R$ 37,10
  • Custo do produto: R$ 18
  • Imposto sobre o preço: R$ 4
  • Margem: R$ 15,10 (30,2%)

Compara com Flex (você que envia):

  • Tarifa ML: R$ 7,00 (14%)
  • Frete pelo Coleta Flex em SP capital: R$ 14,90
  • Margem: R$ 6,10 (12,2%)

Nesse caso, Full ganha por 18 pontos. Mas se o produto custa R$ 25 (mais barato), Full pode perder.

A regra prática: produto com **preço de venda acima de R$ 60 e giro mensal acima de 8 unidades por SKU** quase sempre rende mais no Full. Abaixo disso, simula antes.

5 produtos que NÃO devem ir pro Full

  1. Sazonal puro — vai parar lá em janeiro e morrer pagando armazenagem dobrada em março
  2. Item grande e leve (volumetria alta) — Full cobra por m³, espuma de protetor de sofá vira terror
  3. SKU com estoque alto e giro baixo — você está pagando pra estocar no ML
  4. Produto frágil sem embalagem reforçada — quebra em separação aumenta devolução, e ML cobra logística reversa
  5. Item de markup curto (< 20%) — qualquer 2 pontos no Full come tudo

Como dividir entre Full e Flex (estoque distribuído)

Se você tem múltiplos depósitos e quer parte do estoque no Full e parte no seu galpão (pra Flex), o ML permite — chama-se estoque distribuído e usa o atributo seller_warehouse (não selling_address, que é o erro mais comum dos integradores).

A jogada inteligente:

  • Full: peças de giro alto, ticket médio
  • Flex próprio: peças de giro baixo, alto valor unitário, frágeis

Você atende rápido nas duas pontas sem encarecer no Full o que não precisa estar lá.

Como o EVA Pro simula isso

No EVA, em Tools > Calculadora de margem, você seleciona um anúncio do ML e vê os 3 cenários comparados (Full, Flex Coleta, Flex Drop) lado a lado, com a margem real considerando:

  • Imposto da sua empresa (Simples ou Lucro Real, conforme cadastro)
  • Custo unitário (puxado do produto cadastrado)
  • Tarifa atual do ML (atualizada toda semana via API)
  • Frete real por região (não estimativa)

E o relatório /relatorios/full-vs-flex lista todos seus SKUs e marca verde/amarelo/vermelho — quem deveria estar no Full e não está, quem está e não deveria.

Resumo

Full não é decisão de logística — é decisão de margem.

Antes de mandar SKU pro galpão do ML:

  1. Calcula margem Full vs Flex pelo seu preço atual
  2. Olha o giro mensal — abaixo de 8 unidades, pensa duas vezes
  3. Considera a curva de armazenagem (dobra depois de 60 dias)
  4. Mantém estoque distribuído pros produtos que pedem flexibilidade

Sem essa conta, o Full vira armadilha lenta — você perde margem mês a mês e culpa o ML. Com a conta, vira ferramenta de escala.

Próximos passos: quer simular sua carteira inteira em Full vs Flex? Teste o EVA Pro 14 dias grátis — o relatório aparece em 2 minutos depois que você conecta a conta do ML.